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Cartas


Numa tarde de verão dessas qualquer, caminhava solitária pelas ruas vazias da pequena cidade.Usava sua blusa florida e sua sapatilha de veludo com laço na frente, o cabelo estava preso e ela gostava de caminhar olhando para seus pés.Com o pensamento longe,imaginando mil coisas, ela mantinha a expressão de tristeza e ao mesmo tempo , alegria em seu olhar. Numa curva qualquer encontrou um simpático senhor, que lhe disse "boa tarde". A garota com toda simpatia respondeu no mesmo tom , com um belo sorriso no rosto. O senhor usava óculos, era meio encurvado e careca, mais parecia aqueles sábios velhinhos de filmes, porém nem era tão velho assim. Entregava cartas, e já cansado de andar sob o sol ardente, pediu a garota que lhe fizesse um favor:levasse duas cartas em seus respectivos endereços. A garota sem hesitar, foi logo pegando as cartas, com um belo sorriso no rosto. Os dois de idades tão diferentes , conversaram, mas o assunto acabou logo na esquina, pois a partir dali, a garota tinha que seguir seu caminho. Se despediu do senhor, e ele a agradeceu, a garota sorriu e continuou seu caminho, com sua imaginação fértil, porém agora, ela tinha mais coisas para acrescentar a seus pensamentos: as cartas. Aquilo poderia ser cartas de amor, pensou. A garota sabia muito bem do que se tratavam as cartas, eram de cobranças e blah blah blah, mas ela preferiu imaginar que fossem de alguma pessoa morrendo de amores. Tudo bem que podia parecer antiquado demais ,mas ela imaginou mesmo assim, afinal ninguém podia controlar seus pensamentos. Subiu em um pequeno degrau,e deixou a primeira carta numa caixa de correio enferrujada do portão de uma casa comprida ,com escadas e janelas grandes.Deu um pulo de volta e continuou seu trajeto, imaginando, pensando,sonhando, cantarolando em seu pensamento. encontrou a segunda casa, e não conseguiu abrir a caixa do correio,por isso ,jogou no chão da varanda da casa que também era grande por sinal. A garota se virou rapidamente, pois não queria que a vissem, afinal ela não costumava entregar cartas. Continuou seu caminho esbanjando simpatia, com a sensação de dever cumprido, por mais simples que fosse : entregar duas cartas como um favor a um senhor. Mas aquela experiencia , de fazer um favor a alguém tão simples e poder imaginar que eram cartas românticas, fez a garota se sentir como nunca havia se sentido. Tudo para ela tinha uma importância, um valor, por mais simples e pequeno que fosse, ela podia sempre enxergar beleza em tudo ! Pois ela tinha o que poucas pessoas tem : simplicidade!!

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